Foto from Thomas Hawk, on FlickrA Laura agora está começando a entrar na fase das perguntas filosóficas e difíceis da vida. Uma delas é sobre a morte. Outro dia, estávamos vendo um documentário no Discovery Channel sobre escavações arqueológicas no Egito, múmias e afins. Ela ficou toda impressionada e perguntava o que era aquilo. Respondemos que eram pessoas que tinham morrido há muitos e muitos anos, que os pesquisadores estavam descobrindo lá no Egito. Ela adora o filme “Príncipe do Egito” e associou logo ao filme.

Dias depois, ela começou a falar sobre morte. Ora dizia que não queria morrer. Ora dizia que não queria que eu morresse. Curioso foi outro dia, dentro do carro, que ela disse que estava triste porque a vó Tereza e a vó Biga tinham morrido porque tinham ido pro Egito. (???) Eu não sei de onde ela tirou que as avós tinham morrido, e lá fui eu explicar que não, que as vovós estavam vivas, lá no Brasil. Ela insistiu que quem vai pro Egito morre. Isso ela tirou do documentário, claro. E dá-lhe explicar que o Egito é só um outro país, como o Brasil, como o Canadá, e que gente morre em todo canto, não só no Egito.

Ela ainda não me perguntou diretamente sobre a morte. Talvez isso não esteja longe de acontecer. E é tão difícil falar de um assunto assim, né… Eu mesma detesto pensar ou falar de morte. Claro que tenho minhas crenças, mas preparados para morrer nunca estamos, apesar de ser a única certeza que temos na vida.

Eu não sei como abordar este assunto caso ela venha me perguntar. Eu lembro, quando pequena, tinha pavor de morrer. Pavor mesmo. Eu tenho lembranças de quando tinha uns 4 ou 5 anos, de ir chorando pra cama da minha mãe porque não queria que ela morresse. Ficava imaginando como seria morrer, o morrer em si. Se dói. Como seria deixar de respirar e partir, deixar de ser, pra sempre. Ainda hoje, me pego pensando nisso. Mas não tem jeito, todos vamos passar por isso, mais dia, menos dia (de preferência, mais dias!!!!). Então, adulta, eu já tento evitar os pensamentos, já que o fato vai ser inevitável mesmo. O negócio é aproveitar a vida enquanto a temos.

Foto: Thomas Hawk, no Flickr

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19 Comentários »

Comment por Emília
2008-05-21 13:14:43

Oi Aninha,

Puxa a Laurinha me fez dar boas risadas, que post fantástico, crianças são o máximo, a pureza, a maneira de descobrir as coisas…

Bem falar sobre a morte é mesmo muito difícil, entre adultos já não é simples, mas com as crianças é desumano…

Dei aula na igreja por um período e aí claro entra a questão da crença que você comentou, como minha crença segue a bíblia, sempre que uma criança levantava essa questão eu buscava “iustrar” a morte não de uma forma negativa, mas sim positiva, eu dizia como seria maravilhoso morar com Jesus e assim lhes falava dos benefícios, salientava que todos se encontrariam de novo, e por muitas vezes eu via em seus rostinhos que estavam a imaginar como seria…rs

Eu não me sentia mentir pois é nisso que eu creio eu jamais mentiria, mas se acreditasse de outra forma, buscaria palavras amenas para explicar e omitiria o que não achasse necessário falar, afinal não há porque tentarmos fazer os pequeninos entenderem o que nem nós entendemos direito, há um trechinho na bíblia que diz “…a cada dia basta o seu mal” ou seja pra quê sofrer por antecipação, fica aqui meu ponto de vista e aí claro você seguirá aquilo que você acredita, tenho certeza que conseguirá falar com a Laurinha, você é muito especial, encontrará as palavras certas…

Assim como você eu também passei por esses momentos quando criança, não queria que ninguém da minha casa morresse, eu chorava na minha cama a noite…fiquei um tempinho assim…até que meu irmão conversando muito comigo me ajudou a superar esse medo e depois tratei de aproveitar a vida como você disse no fim do post. Mas as vezes me bate ainda esse medo principalmente depois de perder minha mãe… Não adianta né Ana, nós não fomos concebidos para morrer e por isso nunca teremos facilidade de conviver com isso!

Beijos pra você e um montão de saúde e de vida! :-))

 
Comment por Ravi Wallau
2008-05-21 15:30:00

Esses dias o Arthur me perguntou se eu vou morrer um dia. Eu disse “sim, mas ainda vai levar muiiiiiito tempo, não se preocupa que o papai vai ficar aqui bastante tempo”.

Outra vez, já faz uns anos, a gente foi em um cemitério para o enterro de um parente da minha esposa e ele ficou perguntando sobre a morte, e a gente explicou que acontece mesmo, mas que é só quando as pessoas ficam mais velhas (para não complicar muito), e que ele não precisava se preocupar com isso por agora.

Mas criança é triste mesmo quando começa a perguntar de coisas mais complicadas. Haja jogo de cintura para responder tudo!

 
Comment por Priscilla Santos
2008-05-21 17:26:22

Tao engracado Ana, essa semana Clara comecou com esse assunto aqui em casa, disse que eu e o pai vamos morrer no aviao, fiquei um pouco apreensiva e ate falei sera, mas nao posso ficar pensando nisso, pq nao vai levar a lugar algum.
Tenho entendido atualmente que devemos encarrar de forma natural como realmente e e isso que quero passar pra minha filha, nada de pensamentos, crencas ou dogmas sobre o assunto, tudo natural, vamos ver se consigo.
Bjs e boa semana

 
Comment por Ana
2008-05-21 19:15:02

Olha Ana…aqui em casa as pergutnas também já começaram.
Ela sempre pergunta: mamãe, sua avó já está morrida? rs
Ou então pergunta pro pai os nomes dos avós e se eles já morreram.
Certo dia ela viu um outdor de lingerie e a moça deitada em um gramado e gritou bem alto: mamãe a moça morreu ou desmaiou?
A gente fica sem saber o que responder sobre as perguntas que eles fazem né? E creio que outras “piores” virão, temos que nos preparar!
Um bjo

 
Comment por Dani e afilhadas
2008-05-22 02:55:25

Oi, estas perguntas realmente são complicadas. A Júlia já perguntou sobre a avó materna (falecida antes dela nascer) e explicamos por alto e dissemos que ela foi ficar junto de papai do céu. Ela adora o Cristo Redentor e adora ir lá, pois diz que fica perto da vovó Conceição.

É preciso ter muito jogo de cintura com as perguntas que elas fazem.

Bjs e bom final de semana a vocês
Acabei de atualizar meu blog com notícias e fotos
http://www.afilhadosamados.blogger.com.br

 
Comment por Rachel Ripardo
2008-05-22 03:35:21

Oi!

você não me conhece, mas acompanho sempre seu blog. Li os comments e todos são pessoal que tb leio e que te conhece, aí fico até envergonhada de escrever. Mas sei que são os posts que “alimentam e fazem crescer” um blog.

Bem, se eu pudesse sugerir algo sobre o que falar com a Laura quando ela perguntar “o que é morrer” é compartilhar sua crença com ela. Se você tem dúvidas quanto ao que é morrer, não há problema em compartilhar com ela também, dizer “não sei”. Mas também acalmá-la e dizer que vai demorar muito para ela morrer e para você tb!

E não é necessário compartilhar o medo, ela mesma tem que decidir como vai se comportar diante do inevitável.

Espero que tenha ajudado, mesmo que só para refletir.

Adoro suas fotos, um grande abraço

 
Comment por Daniela
2008-05-22 11:19:30

Olá Ana

Leio sempre seu blog desde a época do 40 semanas, minha filha tem a idade da sua, um mes mais nova e,
assim como vc, esse ano resolvi ter outro filho.

Bem, estou escrevendo porque o assunto “morte” também surgiu aqui em casa no final do ano passado, minha filhinha Ana Beatriz tinha pouco mais de tres anos e a gatinha da minha sogra faleceu. Ela já estava velhinha e doentinha, e nos apegamos a isso para dizer para ela que quando ficamos muito velhinhos e doentinhos a gente vai para o céu, ficar com Jesus… e tudo que se diz.

Algumas vezes depois de ter explicado tudo a vi chorando dizendo que estava morrendo de saudades da gata e perguntando se uma tia do meu marido tambem tinha morrido… Na época, ela ainda não tinha 3 anos e náo comentamos nada, quando eu disse que sim, que a Tia Neusa tinha morrido e a gatinha também ela chorava um pouco…

Semana passada foi a vez do Igor, um boxer que tambem vivia na minha sogra, ser sacrificado, e novamente foi uma avalanche de perguntas ameaça de choro, explicamos tudo de novo… Dessa vez ela esqueceu, ou entendeu mais rápido.

Explicar a morte por doença ou por velhice é dificil, mas o pior é explicar os noticiarios aqui do Brasil. Inevitavelmente ela vê em algum momento falarem sobre o casal que suspostamente atirou uma criança pela janela…Ela nunca nos perguntou nada sobre esse caso porque sempre procuro desligar a televisao ou mudar a conversa perto dela, mas uma vez, quando eu perguntava para ela o que ela mais gostava em casa, olha o que eu ouvi: “- Gosto do papai e da mamae quando vcs cuidam de mim e não me jogam da janela.”
Beijos

 
Comment por Cíntia Levita
2008-05-22 14:21:12

É mesmo um tema meio obscuro pra todo mundo. Aliás, menos pra quem tem uma formação espiritualista, eles tendem a lidar muito melhor com a morte.

Beijinhos!

 
Comment por Tricia
2008-05-24 06:19:01

Ana, quando tu souber uma boa maneira de conversar sobre esse assunto escreve aqui, porque eu não sei! Aliás, a Thais tá começando a falar de morte também, e eu não tô sabendo como lidar com isso…
=(
um xero

 
Comment por Harumi
2008-05-24 10:33:48

É um assunto delicado mesmo pra explicar pra crianças, né? Eu evito o quanto posso que a Letícia veja outros programas exatamente por isso. Eles sempre ficam impressionados e começam a questionar. Assim vou adiando essa etapa complexa. rs rs rs
Bjo grande!

 
Comment por Karim Scharf
2008-05-25 14:05:45

Puxa, realmente é um assunto complicado para conversar até entre adultos… com criança então, vixi… chato mesmo! Mas enfim, absolutamente necessário!! Léo já sondou alguma coisa, mas nada declarado. Acho que a transparência, a verdade e a realidade devem realmente serem transmistidas aos nossos pequenos, mas claro… de forma suave e simples para que eles compreendam como parte da vida. Ainda não passei por isso também, mas acho que saberemos lidar sim…! Acho que a gente aprende muito, explicando para eles sobre nosso medos, anseios, dúvidas. Cada coisa no seu tempo, não é? Beijocas

 
Comment por Micheli Subscribed to comments via email
2008-05-25 19:14:02

Oi Ana Paula!!
Bravo!Acertou na mosca!!!
Caramba,que coincidência,estou passando por isso nesse momento…Eu tb nem sei como falar o que fazer para convencer pq criança da idade da Laura ainda podemos dizer meias palavras mas minha filha tem 8 anos e é muito inteligente e sensível… Tudo começou há uns dias atrás…num passeio pelo shopping estava alí, era de graça,bem no meio da praça… eu ví uma exposição em comemoração aos 100 anos dos japoneses e era sobre a opera de Madame Butterfly,entramos, e começamos a ver; claro que tinha toda a encenação , história e também o fone para ouvir,eu nem me liguei na hora,crente que estava culturalmente abafando,mostrando para ela uma obra consagrada e tal,mas depois,veio o caos pela noite, ela não queria dormir chorou veio dormir conosco etc e tal… e agente ainda nem se toca, até cair a ficha!!! Meu Deus,eu não ví aquilo com os olhos de uma criança… fala de guerra,do amor que vai embora,leva os filhos dela, a personagem era mãe e se suicidou com o punhal do pai!!!!Olha,se arrependimento matasse!!!mas no momento eu só me lembrei que eu tb já tinha passado por isso,mas lá no interior onde eu morava nós vivenciávamos o luto,agente colhia flores,levava a cruz caminhava com o cortejo,e então depois agente ia vendo que era uma coisa que poderia acontecer,não tinha como fugir.Mas nesse momento como mãe eu só posso pedir a Deus ajuda,pq eu posso tentar,mas só Ele mesmo nos dá sabedoria.Estarei orando por vc,hj mesmo,por vc e toda sua família para que sejam felizes e possam superar todos os obstáculos e circunstãncias difíceis que aparecerem. E o bebe,crescendo muito??Grande bjo,boa semana

 
Comment por Ciça
2008-05-26 06:53:09

Ah Ana, Manrique tb entrou nessa de perguntas filosóficas e difíceis da vida. A ultima foi: “mae, pq a gente tem duas maos”?????

 
Comment por andrea diogenes
2008-05-26 07:46:34

Ana, ontem Giovanna tb veio com uma destas, na verdade fui a culpada … estava lendo uma matéria na Veja sobre enxaqueca , maior probalidade de ter um acidente vasculhar cerebral quem tem bendita dor crÔnica, aí eu nem me liguei que ela estava por perto e comentei com o maridex , pra quê? Nana veio com tudo chorando - mamãe vc vai morrer ?!! eu fiquei sem graça , não falei em morte mas a palavra acidente , foi intrepretada por ela desta maneira. É complicado mesmo … eu que tenho meu pai no céu ha 11 anos , tento atraves de fotos contar pra Nana , aí ela vem sempre com a historia que quer ir ao céu ver o vÔ…

 
Comment por Viviane
2008-05-26 11:16:25

Ana, crianças formam a própria lógica a respeito da morte. Talvez vc nem precise explicar agora. Quando o meu sogro morreu, viajamos de avião… Gabi ficou procurando a nuvem do vovô e dizia que devia ser uma nuvem “com muitos armários e janela com vista, porque era assim que o vovô gostava de apartamentos”. Ela procurou, viu muitas nuvens vazias e nem imaginou que estivesse equivocada. Aos poucos ela foi entendendo um pouco melhor. 2 anos depois de perder um peixinho, ela disse: “mae, já sei a verdade, o peixoto não foi para o mar… ele morreu.” Simples assim.

 
Comment por Simoni
2008-05-26 11:21:00

ai Ana esse é um assunto complicado até pra nós adultos! Meu pequeno já entrou na fase dos porques tem algum tempo, pergunta assim, pq mamãe qdo falo alguma coisa ou explico, aí explico o que ele quer saber ou tento né, e ele de novo, mas pq mamãe e se der trela não acaba mais a infinidade de porques que vem.
Espero que esse assunto da morte demore um pouco a chegar por aqui pra eu me preparar espiritualmente e verbalmente pra explicar.
Por enquanto ele só sabe o que é morrer qdo mata uma formiga ou um mosquito tipo pernilongo.

Adorei o seu post sobre as fraldas e vc fez eu me sentir super culpada por todo o desmatamento que fui responsável e ainda sou pq o Henrique ainda usa fralda pra dormir a noite…..mas juro a vc que não sei se saberia usar as de pano, justamente na questão do lavar, usar que tipo de sabão pra não irritar a pele do bebê, qual o tempo de troca dessa fralda, nossa em pensar que minha mãe sempre fala que criou 3 filhas usando fraldas de pano.
Vou la visitar o site das fraldas!

Beijos!

 
Comment por Luma Kimura
2008-05-27 15:06:09

Longe de ter filhos e até mesmo sem a convivência de muitas crianças por perto, nas raríssimas ocasiões em que me vejo tendo que responder a perguntas do tipo eu suo horrores de nervoso, nunca sei o que dizer!!

A parte, Laurinha me impressiona mais a cada dia, Ana!! Que guria esperta! Pagaria uma boiada para entender como funciona a linha de raciocínio de crianças como ela! =D

Beijos!!

 
Comment por Alessandra Araújo
2008-05-28 05:28:23

Menina eu passei por isso ano passado com minha pequena com 2 aninhos, temos duas yorkshires euma simplesmente amanheceu morta, ela era baixo peso e muito pequena para raça, e o que dizer? falei a verdade que ela tinha morrido mas usei simbolismo tb, de que ela tinha virado uma estrelinha e estava no céu e sempre que tivessemos com saudades dela poderiamos olhar para o céu e ela estaria brilhando para nós. Ainda bem que temos outra.
Agora minha pq está com 3 anos e super insegura coisa que nunca foi, com medo de me perder, não sei o que está acontecendo, comecei a pensar de onde poderia ter surgido, analisando os desenhos tipo Branca de neve, cinderela, a grande maioria das estorinhas nunca existe a mãe, então acho que pode ser isso…

bjs;)

 
Comment por Camila
2008-05-28 10:17:09

Lembro de uma vez, acho que o primeiro contato que eu tive com morte, que um amigo da família tinha “ido pro céu” (eu tinha uns 6 anos, eu acho). Logo depois, meus pais foram pra Brasília de avião e eu fiquei com minha vó. Na despedida, eu falei: “Mãe, aproveita que você vai estar lá no céu e traz o Tio Walter com vocês!” Imagino o trabalho que deu pra explicar que “ir pro céu” é morrer e que não tem volta…

Você, com certeza, vai saber o que dizer quando a Laura te perguntar…

Beijo,

K.

 
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