Os maiores desafios do primeiro ano de imigração
Publicado por Ana Paula February 19th, 2008 em Canadá.Mudar nunca é fácil. É mais cômodo ficar na sua zona de conforto. Mas a sensação de vencer desafios é muito melhor do que o conforto da segurança. A vida é tão curta, por que não viver aventuras? E nós só descobrimos como somos capazes, se tentarmos.
Nesse ano tivemos muitos desafios e dificuldades, como qualquer imigrante. Essa é a minha listinha dos principais desafios que enfrentamos nesse primeiro ano:
O idioma
Até eu, que me considerava fluente no Brasil, tive dificuldades com o inglês. Eu trabalhava numa organização britânica e tinha contato diário com o idioma. Mas uma coisa é você falar inglês entre brasileiros falando inglês e dois gringos. Outra coisa é você falar inglês no meio de nativos ou de outros imigrantes, que têm os mais variados tipos de sotaques! André falava um pouco, mas não tão fluente. Fez cursinho aqui e depois que começou a trabalhar, parou o curso. Ainda não se considera fluente. Eu acho que melhorei bastante, mas de vez em quando ainda engasgo, não tem jeito.
Primeiro emprego
Foi uma das nossas maiores dificuldades no começo. Eu demorei três meses pra conseguir um emprego. André, quatro meses. Hoje parece pouco tempo. Mas quando se está só gastando e nada entrando na conta, você fica meio preocupado. Foram muitos momentos de choro, de angústia, de ansiedade. Fizemos cursinhos do governo sobre o mercado de trabalho daqui, mandamos diversos currículos e fizemos dezenas de entrevistas até a primeira porta ser aberta pra nós.
Day care da Laura
Ela começou na escolinha em abril, por meio período. Só em julho, depois que André começou a trabalhar, foi que começou em período integral. O desafio não foi a adaptação dela, mas achar a vaga em si. Day care aqui é particular, e as filas de espera são monstruosas. Na época da nossa pesquisa, tinha creches que tinham de 1 a 2 anos de espera pra uma vaga! A creche onde ela está não era nossa primeira opção, e era a única que tinha vaga disponível imediata, na época. Pra nossa surpresa, ela adorou a escolinha e as tias são muito amorosas e tratam bem das crianças.
Carteira de motorista
As nossas carteiras brasileiras tinham validade de três meses. Procrastinamos até o último momento pra tirar a carteira local. Foi um sufoco ter que estudar as regrinhas daqui, fazer a prova teórica e depois a prova prática. Nos sentimos humilhados quando André ficou reprovado na primeira prova prática e teve que repetir pra ser aprovado.
Distância da família e dos amigos
Acho que esse foi o desafio mais difícil. Eu nunca imaginava que seria capaz de viver longe da minha família. Foi muito difícil separar a Laura dos avós e tios, e saber que ela não vai ter contato próximo com eles. Até hoje isso ainda dói. Mas aprendemos a conviver com a distância e a saudade nunca passa, mais diminui com o passar do tempo. A gente sempre se fala por telefone e pela internet. Não é a mesma coisa, mas é como conseguimos manter o contato com eles. E eles nos apóiam muito também. Isso tem sido importante pra nós.





ehehehe Ana, você já tá pegando fluência MESMO! rs Buscou o “Procrastinamos” láá do fundo do baú, hein?
Estou adorando a ’série’!
Oi Ana,
Sempre acompanho seu Blog e resolvi agora deixar um recado lhe parabenizando.
Esta série está excelente e super interessante.
Parabéns, você escreve muito bem.
Um ano. Ainda é pouco.
Mais um tempo e você vai começar a sentir que está perdendo as referências. Em uma viagem ao Brasil, perguntei: que música é essa? quem é esse jogador? esse cara é governador de onde? …
Mas esse é o preço.
Oi Ana como é bacana vê vcs bem, e saber q/ morar fora tb tem lado sobrio, pois qdo estamos aqui ficamos só pensando como lá fora é bom, como vão se tá bem, mas td isso tem um preço. Admiro -os muito, mais sucesso nos próximos anos.
Um forte abraço
Oi Ana, é o Ravi (voltei à ativa). Tirando o emprego e o Day Care, eu me identifiquei com o que você relatou. A coisa que é mais difícil mesmo é a distância dos amigos e família e saber que o seu filho/ filha não vai ser tão chegados nos avós e na sua família como seria se você ainda estivesse no Brasil.
A mesma coisa acontece com os amigos - a gente já tem um relacionamento criado e eles já significam alguma coisa para a gente, mas é difícil fazer o pequeno se apegar a alguma coisa que está a 10000 km de distância. Eu já passei da fase do “homesick” há algum tempo, mas sempre que eu vejo algum filme em que há algum tipo de reunião familiar (ou com os amigos), eu me lembro de tudo que a gente deixou para trás para vir para o Canadá.
No fim, colocando tudo na balança, a coisa que eu penso é “dar saudade, dá, mas voltar agora, não volto não - tomara que venham todos me visitar e que eu consiga ir visitar a todos de tempos em tempos”. Eu estou bem satisfeito com a vida aqui, apesar do frio e da distância. E até ó frio deu uma trégua nos últimos dias, com a temperatura chegando aos dez graus à tarde por conta de um Chinook de verdade que deu as caras poraqui.
Abraços, Ravi.
Oi, Ana Paula, tudo bem?
Nunca escrevi aqui, esta é a primeira vez, embora acompanhe TUDO o que vc escreve, principalmente quando vc escrevia no outro blog sobre imigração. Foi através de seu blog que tirei todas as minhas dúvidas para dar entrada no processo de imigração.
Li tudo várias vezes, consultei, pesquisei, li novamente, enfim, serviu-me muito como guia.
Agora o processo é um pouco diferente, vc primeiro dá entrada com a documentação simplificada e, depois, o Consulado pede a documentação completa. Dei entrada com o processo simplificado em Maio de 2007(juntamente com as taxas) e em Novembro de 2007, eles me pediram a documentação completa. Enviei tudo no dia 19 de dezembro de 2007 embora tivesse o prazo de 4 meses para isso. Acontece que mandei a documentação por SEDEX 10 com Aviso de Recebimento. Recebi no dia seguinte (20 de novembro) o protocolo de recebimento, porém, creio que foi o Departamento de Expedição/Recebimento do Centro Empresarial (Prédio do Consulado) que deu o recebido, então, fiquei com medo do Consulado não ter recebido já que Dezembro é uma época de férias coletivas para algumas empresas. Queria muito saber se eles receberam a documentação completa. Estou tentando falar com a Maria João do Consulado, mas não consigo por telefone (cai sempre na secretária eletrônica com uma mensagem para deixar recado para ela). Assim, gostaria de saber se vc ainda tem o email dela para eu perguntar sobre o recebimento da documentação. Vc poderia me ajudar passando o email? Não encontrei no outro blog.
Ficarei muito grata a vc.
Saiba que mesmo não fazendo contato com vc todo esse tempo sempre torci e torço para que todas as coisas dêem certo para vc e sua família.
Um abraço.
É, Ana, olha só quando coisa vcs já viveram por aí! Parabéns! Essa adaptação não deve ser nada, nada fácil. E o idioma, putz, se vc ainda não é fluente, não quero nem pensar o que aconteceria comigo!
Bjos, Ju
Nossa Ana, imagino como deve ser difícil, mas olha só QUANTA coisa vcs conquistaram em 1 ano!
Parabéns pelas conquistas!
Beijos, Cá!
Oi Ana, nem parece que já passou um ano! Então vcs chegaram em pleno inverno? Como foi se adaptar as baixas temperaturas? Depois de 6 anos eu curto cada uma e o inverno não me incomada mais.
Meus pais acabaram de passar um mês e meio aqui e foi ótimo! Tenho uma irmã morando em Indiana então as saudades são menores.
Que o próximo ano seja ainda melhor!
bjs
Ana, vou dar copy/paste do seu post lá no blog tá? rsrsrs
Os frutos da sua determinação vc já está começando a colher.
bjs
Elayne
Ana,
Mesmo lendo as dificuldades que vocês passaram e os desafios que vocês venceram ainda assim é difícil de imaginar, sabia??? Acho que vocês já são vitoriosos, acima de tudo.
Sabia que eu já tive muita vontade de ir morar no Japão? Quando era adolescente era meu sonho… Parar de estudar e ir pra lá trabalhar. (Hoje vejo que não teria sido a melhor opção naquele momento). Hoje continua sendo meu sonho ir pra lá, pelo menos pra conhecer.
Bjo grande.
Ana e família, realmente tudo tem seu preço e nenhum lugar é perfeito!
O que eu mais temo é sentir falta da família e isso eu sei que vou, me cobro muito pensando que minha filha estará longe de avós e primos e até que ponto isso pode ser prejudicial pra ela, mas isso só o tempo dirá!
Estou gostando muito da série! Continue relatando tudo pra nós!
Beijos
Ana, realmente nem parece que já passou um ano! Mas o importante é que vocês se adaptaram e estão tendo uma vida melhor e dando também uma vida melhor pra Laura. Todas as escolhas que fazemos nos obrigam a abrir mão da alternativa, é assim mesmo, mas se na hora de colocar na baçança o saldo é positivo, é só isso que importa.
Muitas felicidades pra vocês nos anos que ainda virão.
Bjs.
Patty.
Vc teve dificuldade com o idioma? Poxa Ana, nao me entenda mal, mas vc nao sabe o alivio que sinto. Se vc que chegou sabendo teve dificuldade entao eu que só sabia falar sim e nao nem preciso dizer a loucura!