Mulher bombril
Publicado por Ana Paula May 26th, 2006 em Eu, Laura, Opinião.Há vários textos na internet, nas revistas e literaturas sobre a sobrecarga e as cobranças que a mulher sofre nos dias de hoje. Os vários papéis que ela desempenha, a incessante vontade de cumprir todos eles da melhor maneira possível e a frustração de não conseguir.
Mas eu quero falar de mim. Como eu me sinto em relação a isso tudo.
Todo mundo diz que a mulher, depois que vira mãe, tem que lutar para não se anular. Muito fácil falar, né? Eu, como muitas mulheres que eu conheço, não consegue lidar com isso tão facilmente.
Nasce uma mãe
Naturalmente, isso é mais notável assim que a mulher vira mãe. A novidade do papel de mãe na vida da mulher, o início do aprendizado de como lidar com um bebê, todas as alterações hormonais, contribuem para que nos primeiros meses da vida do bebê a mulher seja apenas mãe. Ela não tem tempo de tomar banho, ela esquece de comer, não liga se a perna não está depilada ou se as olheiras estão nos joelhos. Sem contar a vida íntima do casal, que vai pras cucuias. Eu tenho certeza que muitas de vocês vão se familiarizar com esse cenário.
Aí, vêm os especialistas e falam: “Olha, você não pode ficar assim não. não esqueça que você é mulher também, tem que se cuidar”.
Meses depois, você percebe que eles devem ter razão mesmo. A gente começa a sentir falta de um tempo pra gente. Afinal, a vida não pode ser só cuidar do filho, né?
A volta ao trabalho
Para aquelas que trabalham fora, o fim da licença-maternidade é um dilema sem fim. Eu mesma me questionei muito sobre voltar ao trabalho. Minha vontade era chutar tudo pro alto pra ficar com minha filhota. Será que ela ia comer bem? Será que ela ia esquecer de mim? Será que eu vou conseguir me concentrar no trabalho? Pra minha supresa na época, as coisas foram muito melhor do que eu imaginava. Novamente eu tinha sofrido por antecedência.
Com a volta ao trabalho, a mulher já reconquista uma parte importante de si ¿ o lado profissional. É bom para distrair a cabeça com outras coisas que não quais os legumes você vai comprar pra sopa do neném, ou trocar a fralda suja de cocô.
Nesse mesmo momento também começa a divisão do seu tempo e dedicação a outra faceta, além da esposa, dona de casa e mãe.
Tentando equilibrar os papéis
Administrar tudo isso não é fácil não. A vida de algumas mulheres se resume a casa¿trabalho-casa. E se você trabalha o dia inteiro fora, e leva quase duas horas pra ir e voltar do trabalho, como eu, no final do dia você acha que a divisão do tempo com os seus 1001 papéis não está justa com algumas das partes. No meu caso, eu sempre acho que falta tempo para ser mãe e pra ser eu mesma. Entre um ou outro, eu prefiro ser mãe e sempre deixo de lado eu mesma.
Quanta coisa eu queria fazer… um mestrado, ginástica (ou yoga, ou pilates, ou outra atividade física), aprender outro idioma, sair de noite com meu marido, ir no cinema… E eu vou adiando, e adiando, e adiando. Geralmente pela falta de tempo. não consigo pensar em ficar mais horas longe de casa, longe da minha filha, pra fazer algo por mim. Eu sei que não deveria pensar assim, mas a culpa sempre bate lá no fundo. Eu já fico tanto tempo longe dela, vou ficar ainda mais?
Eu não tenho babá. não tenho com quem deixar a minha filha nos fins de semana pra eu fazer o que quer que seja sem ela. não acho justo também com a minha mãe, que já fica a semana toda com a neta. Ela tem a vida dela também.
E assim eu vou tocando a vida. Cedendo um pouquinho aqui, adiando um pouquinho acolá, mas curtindo de montão essa fase da minha garotinha, que um dia vai crescer e não vai ser tão dependente de mim. Quando isso acontecer, eu vou ter tempo de sobra pra mim.





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